No topo da Torre moras tu, princesa da brilhante luz dourada, Viveis fechada em vosso mundo, caminhais com os olhos pelos vastos campos de trigo loiro. E eu, vejo-vos, lá longe… longe de mim. Escondida no horizonte encarnado, docemente adocicado, por tua bondesa, subtileza rosada. Teus campos de trigo dourados, reluzentes, prateados são rosas á tua passagem, avermelhadas, negras, espinhosas, pequenas beldades. Vejo e suspiro, por pequenas rosas do amanhecer, brancas puras negras sedutores do vosso ser… Acredito em Deus, bons anjos sujos imundos, negros mas puros, sois um anjo, um fruto de Zeus.
Perco-me no raciocino, negra, cinzenta, branca, quem sois vós? Anjo Negro, Demonio Branco, rezo por ti por um Anjo Caido, venero-te Anjo perdido. Voas, no céu estrelado, voas com a luz no coração, sentes a paixão de deixar teu mundo… meu mundo da solidão…
Lamento escrever, escrevo porque fiquei… sozinho esquecido.
Meu mundo, minha dor, meu nobre amor.
Outra branca noite, outro negro serão passado em clarão, esta noite não penso em vós, penso apenas em nós. Imagino-vos junto de um irmão de sangue, Hipérion, vejo-vos na mente do meu apedrejado coração. Retiro vosso irmão do meu serão, ficais vós, sozinha, esquecida com um cobertor e café á espera de amor. Vedes o mundo corrompido, demonaicamente possuído, vedes o mar vivo, violento pronto a matar, cruel doce perdição do meu ser. Vejo-me, sou o ar, voo entre razões e emoções, desço vosso quente ardente, sedutor pescoço não meu, sinto vosso bater, bate por um amor amado, sarcasticamente rejeitado.
Meu pensamento afoga-se no imenso mar, sinto a dor… seja eu Hades, Zeus, Júpiter, Plutão ou Marte não resisto a vosso encantamento, bela Vénus, deusa do meu céu estrelado prateado, dourado, avermelhado, nobre planeta frustado.
Sois Téia bondosa filha de Urano e Gaia, doce Titã irradiada pelo sentimento da luz nobre acabada de nascer de vosso ser. Sois mãe da luz, minha tua, vossa, mãe do Deus Sol, mãe de Hélios, mãe da prateada Deusa Lua, mãe de bela Selene, mãe de Eos, mãe da Deusa Aurora… Pintais meu mundo de luz e carinho, suaves raios de luz invadem minha alma, manchada pela destreza do negro ser… Rezo por vós… Ó musa do amanhecer…
Enfim, desaparecer, numa névoa de fumo selvagem cegamente memorável…
Enfim, nascendo, vivendo, sugando vossa quente rústica aristocrata aurora…
Enfim, nascendo morrendo…
Numa cidade perdida, negra cinzenta, fustigada pelos anos duradouros de paixões, de sangrentas desilusões, revoltas e manifestações… Abandonada pelas almas ternas bondosas, discrepantes, vividas loucamente ao sabor do fresco aroma do mar, aconchegadas pelo formoso luar das brilhantes azuladas imaculadas estrelas doiradas. A cidade que outrora fora o berço de espíritos místicos aristocratas, é agora a nascente de espíritos carregados por cinzas prateadas… que banham e tingem o berço, o coração da minha nação…
Um cemitério abandonado, logrado por almas penadas é o espelho de toda a praça… ao lado do vasto negro arrepiante campo-santo, presente timidamente penetrante, se encontra a gasta fúnebre sinistra Mansão da Vida, que eleva sobre si uma intensa nefanda Torre Branca… Na Branca Torre assisto á aurora negra que invade toda a lastimosa severa desgostosa triste odiosa cidadela, contemplo um novo nascer, sou testemunha de brotares da escuridão ao som de ruidosos bateres ofegantes, pouco estranhos tegulares. Irradio-o o mar caótico de almas com melodias presas ao puro sofrimento, arrependimento de origem privada manchada pela saudosa fugaz deprimente aliança quebrada…
Deduzo-vos na fria névoa portadora de meigas afectuosas imperfeições amadas e rejeitadas por um melífluo ridículo senhor… Desejo-lhe nada mais que a encantadora negra morte preta…
Aprecio a bruma espessa junto a mim… gota a gota desfalece, esmorece… torna insuportável o suportável. Perdi a noção do tempo, deambulo por caminhos finitos sangrentos como meu coração, escrevo, sou uma maquina face a outra maquina que sangra textos e dedos de tanto fulgor. Sou uma orgia de sensações… recordações…
tegula (latim) – tecla
A vida é breve e doce, um só suspiro. Por isso suspiro entre pensamentos e razões, conhecera a velha dor que se alastra pelos bondosos corações. As sangrentas ilusões passadas roubaram-me a bondade, a força de viver, terei de encontrar a dignidade para renascer.
Nos vermelhos rancorosos infernais, reside e vive a dignidade nas angé licas asas de um anjo negro. Um anjo negro isolado na luminosa solidão , um anjo que amo e admiro , por ele suspiro o ultimo sopro daminha vida. Desejo-o... beija-lo e ama-lo, tocar quentes caricias sem malicias.
Um poeta morre, morre porque a luz do amor se trnsforma no fedor da escuridão. O anjo é uma bela princesa que suga uma parte do meu ser. Não são seus labios, sua lisa pele ou formosa beldade são os escaldosos tons da sua personalidade.
Suspirar é amar e sofrer é viver...
Desculpa por te amar. Desculpa por não nas horas devidas, tristemente vividas. Sou culpado pecador perdido e julgado. Agora vejo amanhecer, o céu vermelho doce rosa carmim. Não negarei, és uma rosa prateada, rosada, encarnada, és minha amada.
E a magia? Sim a magia que transbordas com teu enorme fugaz sorriso perspicaz, jardim saudoso de malmequeres. O nome do anjo é só um chamo-lhe -------- ....
Venere-o...
Poderá um anjo caído renascer das cinzas, tão ardosamente vividas? Um impuro Arcanjo que caira na escuridão do seu coração, mágua, ternorenta dor negra se alastrou sobre minhas doces viscosas entranas.
Morto, sim , este nobre maléfico Cavaleiro esteve, este Diabo voador, louco, manchado pela dor de um amor.
A escuridão abraçou sarcasticamente sua paixão, a sua enorme solidão, a sua fervosa emoção, moldou sua alma, tornou seu sangrento coração numa rocha sem minha benção.
Hoje, vejo minha diabólica Musa, ladra de corações, meu Deus que Bela, que negra perola. Será minha Questão, poderei amar sem chorar? Ponho minha rocha, meu coração na triste esfera da Luz...
A luz...
Nenhuma espada poderá matar um nobre e bondoso Cavaleiro, um Cavaleiro que pratica o bem, mergulhado num mar de pecados. Perdido vagueio nesta negra floresta, perdido nas entranhas do meu coração, pobre floresta que outrora fora o céu, é agora a tenebrosa escuridão… A malvada escuridão desapareceu, reapareceu sobre forma de Luz, óh tenebrosa luz, sois a luz do Inferno, banhaste-me com a dor da morte, olhaste-me com um puro olhar sedutor, mataste-me.
Nenhuma emoção poderá matar um grotesco e malvado Cavaleiro, um Cavaleiro que pratica o mal, mergulhado num mar de boas acções. Perdido vagueio nesta sagrada floresta, perdido nas entranhas da minha mente, gloriosa floresta que outrora fora o inferno, é agora o harmonioso céu… O harmonioso céu desapareceu, reapareceu sobre forma Escuridão, óh doce escuridão, sois a negro do Céu, banhaste-me com a dor da morte, olhaste-me com um impuro olhar sedutor, mataste-me.
Um Cavaleiro morre, quando perfurado pela doce amarga espada da emoção, sente a negra luz, a transcendeste paixão, o coração jorra amor, a mente sente o aperto do coração, que abranda, que pára, que morre. Um Nobre Grotesco Cavaleiro morre. Poderá um Cavaleiro voltar a amar?
Minha musa da noite, haveis roubado, saqueado meu coração, com seus sorrisos e caricias.Sois mais que uma flor, sois mais que uma rosa encarnada, vermelha, encantada, repleta de doces e suaves espinhos, que amo e admiro, és meu amor e por ti suspiro.Teus longos cabelos loiros, são estradas repletas de paixão, mergulhados na emoção do meu coração, perdidos nas maravilhosas entranhas da devoção.
Teus olhos são culpados, são culpados...
Esta noite procurei por ti, na imensa multidão, na imensa escuridão, no olhar morto dos meus olhos… Estavas tu, presente distante, resplendente , ardente em minha furiosamente e afogada mente… Respiro, não… suspiro… Se a saudade matasse, morto eu já estaria, aprisionado no belo e azulado céu. A saudade que sinto por ti, cresce, rejuvenesce, adiciona-se, multiplica-se, capitaliza-se… Se o amor arde sem se ver, então meu amor, arderei jorrando angélicas e cristalinas lágrimas de dor.
