Vejo e assisto-te a tristes vossas cenas… loucas, impensadas, humilhantes provocantes á inteligência humana. Que tristes são os tristes pássaros que voam perdidos na eloquência do saber amar voar… Que triste tu, vós Valquíria destemida meia branca preta outrora azul marinha, voas, amas mais do que podes mais do que queres… mas quem amas será quem veneras? El Senhor, vosso, teu Zeus senhor de vosso mundo, que vos dá tira o radiante penetrante sol, que vos ilumina escurina teu mundo… Procurais refugio num submundo das trevas, rogais pelo bondoso Deus Hades, rogais por mim na presença da dor, vens negra morta renascer a este mundo para voltar a viver, a amar a voar… ganhais cor, deixais o preto e tornais-te branca pura mais doce virgem. Vejo vossa alma voando chorando as lagrimas da solidão, paixão abrasadora, quentes vermelhas ternuras relembradas, derramadas. Pobre bela Valquíria, sois possuída pela escravidão da infeliz negação da perdição, arrastais também meu sangrento coração, queimais também minha esfarrapada alma.
Tua profunda tristeza é minha profunda incerteza da emoção da violenta dor…
Tua profunda alegreza é minha profunda incerteza da emoção do violento doce fervor…
Vosso breve voo arrastai traços de colorida alegria, é minha preta negra escuridão momentânea…
Torne-mos o vosso em nosso esqueçamos Zeus seja-mos um só… um mundo.
Que ilusório pensamento…
Ó desamar…
Falham-me os dedos, falha-me a mente… o corpo desobedece e a dor prevalece, no meu partido coração, tremo por vos, por mim, por nós, sinto a mais triste vibração a vibração da incerteza da solidão que ataca todo o meu ser. Quero-vos a vós com toda a luminosa força dum radioso quente amanhecer. Não vivo, voo e rastejo… conforme as alegrias, conforme as desilusões nas fantasias não minhas, porquê? Porque devo rastejar se posso voar? Porquê? Porque devo chorar se posso não amar? Porquê?
Sinto-me nervoso impaciente, tenebroso, sinto a trovoada a aproximar-se sinto o trovão a doce aurora da escuridão, brancos raios furam a minha essência a minha eloquente vida perdida… Perco-me nas estranhas viscosas entranhas do quente do fervor dum amor. Que me mata, que me solta, que transborda a fogosa chama vermelha sedutora, arrebatadoramente perfeita. Vejo o sorriso das estrelas na estranha chama, por vezes penso que fomos amaldiçoados, subjugados a uma tristeza permanente, a incompatibilidade de seres semelhantes… um cavaleiro não príncipe e uma deusa princesa… Na vossa Torre vedes a minha estrela, lá no norte ela nasce e renasce, afoga-se na escuridão da noite, e a noite é meu mundo… meu mundo sois vós… vedes a estrela a afogar-se em vós…
Vós, vós, vós…
Ontem perdera-me de ternuras, sedutoras paixões, insossegam os ardentes corações envoltos por grandiosas perdições, grandes chamas de sensações consomem-se até á exaustão. Hoje após sentir o vazio de mil solidões sinto o gume da faca a prefurar com a quente subtileza de mil cantigas de sereias nas tempestuosas trovadas de prazeres masoquistas. Que ares, que mares me consumem, seu podre odor que se inflama na minha já rasgada fustiga morta alma…
Minha negra boca canta para que todo mundo saiba que a amo odeio e venero, Senhora dos infernos da tristeza permanente que esboça sorrisos de traições de emoções caídas no sangue meu… Morra eu e tu… Desejo que morras e vivas no meu coração, não quero vás não quero que fiques… Quero morrer, falecer, nascer, renascer, limpo, puro não triste, não feliz, não quero mais ver a podridão do fedor do amor, medonho jogo de mortais… Assim renasço ao lado dos demais imortais, Senhor Das Trevas…
Lambo os meus sádicos dedos, vermelhos encarnados de sangue estão enraivados, pois o sangue meu não é, é nosso… Desfaleço na escuridão… caio junto a vós que permaneceis no vasto chão tingido pela pelas estrelas amaldiçoadas… Meus olhos negros viram cinzentos prateados.
Não quero terminar este desalivio de estonteante sangue, lagrimas quentes frias mães de mim. Escapo de vós… até á próxima alucinante humilhante vida.
Escuro negro ser raivoso furioso.
Porquê Lidia? Porque me afastas? Se sois negra e eu negro sou, se sois Deusa e eu anjo sou, se sois fado e passado sou. Odeia mata, esfola meus (im)puros sentimentos, mas não me deixes viver, pois Fenix não sou e não sei renascer.
Que histórias, fados perdidos, ardosamente vividos.
E o fim mancha a carta, que jorra penosas palavras de desilusão… O meu fim é solidão.
No topo da Torre moras tu, princesa da brilhante luz dourada, Viveis fechada em vosso mundo, caminhais com os olhos pelos vastos campos de trigo loiro. E eu, vejo-vos, lá longe… longe de mim. Escondida no horizonte encarnado, docemente adocicado, por tua bondesa, subtileza rosada. Teus campos de trigo dourados, reluzentes, prateados são rosas á tua passagem, avermelhadas, negras, espinhosas, pequenas beldades. Vejo e suspiro, por pequenas rosas do amanhecer, brancas puras negras sedutores do vosso ser… Acredito em Deus, bons anjos sujos imundos, negros mas puros, sois um anjo, um fruto de Zeus.
Perco-me no raciocino, negra, cinzenta, branca, quem sois vós? Anjo Negro, Demonio Branco, rezo por ti por um Anjo Caido, venero-te Anjo perdido. Voas, no céu estrelado, voas com a luz no coração, sentes a paixão de deixar teu mundo… meu mundo da solidão…
Lamento escrever, escrevo porque fiquei… sozinho esquecido.
Meu mundo, minha dor, meu nobre amor.
Outra branca noite, outro negro serão passado em clarão, esta noite não penso em vós, penso apenas em nós. Imagino-vos junto de um irmão de sangue, Hipérion, vejo-vos na mente do meu apedrejado coração. Retiro vosso irmão do meu serão, ficais vós, sozinha, esquecida com um cobertor e café á espera de amor. Vedes o mundo corrompido, demonaicamente possuído, vedes o mar vivo, violento pronto a matar, cruel doce perdição do meu ser. Vejo-me, sou o ar, voo entre razões e emoções, desço vosso quente ardente, sedutor pescoço não meu, sinto vosso bater, bate por um amor amado, sarcasticamente rejeitado.
Meu pensamento afoga-se no imenso mar, sinto a dor… seja eu Hades, Zeus, Júpiter, Plutão ou Marte não resisto a vosso encantamento, bela Vénus, deusa do meu céu estrelado prateado, dourado, avermelhado, nobre planeta frustado.
Sois Téia bondosa filha de Urano e Gaia, doce Titã irradiada pelo sentimento da luz nobre acabada de nascer de vosso ser. Sois mãe da luz, minha tua, vossa, mãe do Deus Sol, mãe de Hélios, mãe da prateada Deusa Lua, mãe de bela Selene, mãe de Eos, mãe da Deusa Aurora… Pintais meu mundo de luz e carinho, suaves raios de luz invadem minha alma, manchada pela destreza do negro ser… Rezo por vós… Ó musa do amanhecer…
Enfim, desaparecer, numa névoa de fumo selvagem cegamente memorável…
Enfim, nascendo, vivendo, sugando vossa quente rústica aristocrata aurora…
Enfim, nascendo morrendo…
Numa cidade perdida, negra cinzenta, fustigada pelos anos duradouros de paixões, de sangrentas desilusões, revoltas e manifestações… Abandonada pelas almas ternas bondosas, discrepantes, vividas loucamente ao sabor do fresco aroma do mar, aconchegadas pelo formoso luar das brilhantes azuladas imaculadas estrelas doiradas. A cidade que outrora fora o berço de espíritos místicos aristocratas, é agora a nascente de espíritos carregados por cinzas prateadas… que banham e tingem o berço, o coração da minha nação…
Um cemitério abandonado, logrado por almas penadas é o espelho de toda a praça… ao lado do vasto negro arrepiante campo-santo, presente timidamente penetrante, se encontra a gasta fúnebre sinistra Mansão da Vida, que eleva sobre si uma intensa nefanda Torre Branca… Na Branca Torre assisto á aurora negra que invade toda a lastimosa severa desgostosa triste odiosa cidadela, contemplo um novo nascer, sou testemunha de brotares da escuridão ao som de ruidosos bateres ofegantes, pouco estranhos tegulares. Irradio-o o mar caótico de almas com melodias presas ao puro sofrimento, arrependimento de origem privada manchada pela saudosa fugaz deprimente aliança quebrada…
Deduzo-vos na fria névoa portadora de meigas afectuosas imperfeições amadas e rejeitadas por um melífluo ridículo senhor… Desejo-lhe nada mais que a encantadora negra morte preta…
Aprecio a bruma espessa junto a mim… gota a gota desfalece, esmorece… torna insuportável o suportável. Perdi a noção do tempo, deambulo por caminhos finitos sangrentos como meu coração, escrevo, sou uma maquina face a outra maquina que sangra textos e dedos de tanto fulgor. Sou uma orgia de sensações… recordações…
tegula (latim) – tecla
